Na infância tive exatamente 7 festas de aniversário. Festinhas simples, sendo os quitutes deliciosos preparados pela Dona Afra mesmo, com seus fantásticos dotes culinários. Abominava cozinhar no dia a dia, mas pelas minhas lembranças adorava receitinhas novas para os docinhos da festa e os salgadinhos preparados com esmero.
Ah os bolos eram um capítulo a parte. Não tínhamos confeitarias fabulosas para fazer uma encomenda e buscar prontinho aquele com sabor, cobertura ou forma desejada.
Eram também feitos em casa com os dotes artísticos e dedicação especial das mães e constante acompanhamento das crianças da casa, ora lambendo um resto de massa que ficou na vasilha, na colher e petiscando os docinhos especiais comprados .
Para nosso deleite, mamãe tinha uma amiga, muito próxima, a médica que fez meu parto em casa à moda antiga, que tinha como hobbie fazer incríveis bolos decorados, que para nós pareciam "verdadeiras maravilhas" plagiando outra pessoa muito querida. Numa festa, vinha uma linda boneca devidamente vestida e até tinha complementos como sapatinhos e bolsa de chocolates; no ano seguinte uma caixa aberta repleta de chocolates e doces delicíosos e dos que recordo com detalhes, uma imensa borboleta multicolorida. Esse tipo de atenção fazia uma menininha muito feliz por receber tanta carinho.
A melhor parte eram os presentes. Sempre fui ansiosa e agitada e não aguentava esperar meus amiguinhos chegarem sentada calmamente dentro de casa. Ficava
de plantão no portão e quando alguém aparecia na esquina corria ao encontro, resgatava o que achava ser para mim das mãos dos mesmos. Não conseguia conter a curiosidade e ia desembalando rapidamente pra conferir o conteúdo.Acho que na última destas festas fui tão afoita e destrambelhada pra tirar das mãos da amiguinha o objeto que iria me entregar: no caminho em direção à casa, corri, caí e o belo presente se transformou em cacos sem esperança de emendar ou algo qualquer. Inconsolável chorei até adormecer. Pela perda de uma adorável galinha de porcelana que nunca esquecerei.
Hoje, muitos anos depois, é meu aniversário. Não existe mais aquela menininha desejosa de festas e presentes. O interessante é que por coincidência nessas fases pré ou pós meu natalício, recebo diagnóstico hora de uma, em outro ano de outra, dessas doenças controláveis que exigem o consumo quase religioso de remédios de uso contínuo e o controle alimentar. Gostaria de ter de volta meus bolos de boneca e todo aquele paparico, mas ficarei satisfeitissima com mais um pouco de saúde, amor e paz.
sábado, 28 de março de 2009
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Texto muito lindo! Feliz aniversário, mãe!
ResponderExcluirDesejo muito que você seja feliz!
Beijos :)