Na infância, no norte do Paraná, muitas vezes quando era mais necessária , (à noite) a energia elétrica dava adeus e só voltava no dia seguinte.
Nestas ocasiões nós crianças, brincávamos na rua com a meninada da vizinhança e os adultos conversavam muito, contando "causos" tão interessantes que normalmente largávamos as brincadeiras para acompanhar o enredo e o epílogo. Só a chuva mudava esse panorama quando tínhamos o que hoje chamam de apagão; quem já era alfabetizado ficava tentando ler à luz de velas ( apesar das repreendas maternas),
Trocávamos figurinhas, jogávamos bafo ou qualquer antigo jogo de tabuleiro.Não tenho a mínima idéia se já frequentava o Sagrada ou não, mas certamente na época já reconhecia o certo e o errado.Ficava monitorando os adultos e a qualquer distração, surrupiava uma vela e escondidinha em baixo da mesa, (olha que perigo) pingava inúmeras bolinhas da parafina derretida, quente ainda, no dorso das mãos. Não sei se pela adrenalina da transgressão sentia uma plena sensação de júbilo.
A simplicidade e a pureza da infância me permitiam ser feliz com mínimos prazeres.O excesso de parafernálias modernas, inúmeros relacionamentos falidos nos tornam amargos, incapazes de ter a percepção que a felicidade não é um sentimento estanque. Somos agraciados em alguns momentos fortuitos,incontroláveis e tbem não
podemos subornar nada ou ninguém para conseguir vislumbra-la.
terça-feira, 24 de março de 2009
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